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História

Cooperativa Elétrica do Vale d'Este

A Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este, Sociedade Cooperativa Anónima de Responsabilidade Limitada, foi fundada oficialmente no dia 18 de Dezembro de 1930, data da respetiva escritura pública, lavrada pelo notário António Ângelo Pinheiro da Gama, de Vila Nova de Famalicão.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                 

 

                    

De entre os fundadores da Cooperativa, subscreveram os Estatutos os seguintes dez associados: Augusto Cupertino de Miranda; Alfredo Xavier da Costa Saldanha; Álvaro Gonçalves Ferreira de Macedo; Constantino de Almeida Júnior; Pe. José Joaquim Garcia de Oliveira; Dr. Joaquim Narciso da Silva Matos; Constantino da Silva Campos; Álvaro da Silveira Azevedo; Dr. Manuel da Fonseca Figueiredo; e Dr. Augusto Ferreira Machado -, tendo como testemunhas Alberto da Costa Pinto e José da Costa Araújo.



  • Os primeiros anos

    A Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este, Sociedade Cooperativa Anónima de Responsabilidade Limitada, foi fundada oficialmente no dia 18 de Dezembro de 1930, data da respetiva escritura pública, lavrada pelo notário António Ângelo Pinheiro da Gama, de Vila Nova de Famalicão. De entre os fundadores da Cooperativa, subscreveram os Estatutos os seguintes dez associados - Augusto Cupertino de Miranda, Alfredo Xavier da Costa Saldanha, Álvaro Gonçalves Ferreira de Macedo, Constantino de Almeida Júnior, Pe. José Joaquim Garcia de Oliveira, Dr. Joaquim Narciso da Silva Matos, Constantino da Silva Campos, Álvaro da Silveira Azevedo, Dr. Manuel da Fonseca Figueiredo, e Dr. Augusto Ferreira Machado -, tendo como testemunhas Alberto da Costa Pinto e José da Costa Araújo. Entre a meia dúzia de pioneiros que estiveram na base da constituição da Cooperativa desempenhou um papel relevante o Dr. Augusto Ferreira Machado, a quem se deveu verdadeiramente a sua conceção, e que a administrou nos primeiros anos de atividade.


    De acordo com os seus Estatutos, a Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este, com Sede na freguesia do Louro, tinha como primeiro objetivo "a aquisição de energia elétrica e o fornecimento dela aos seus associados, para iluminação e força motriz na área das freguesias do Louro, Lemenhe, Nine, Outiz, Cavalões, Gemunde, desta comarca de Famalicão, e Viatodos e Minhotães, da comarca de Barcelos, estabelecendo para esse efeito, uma rede de distribuição, que poderá alargar-se a outras freguesias se nisso houver conveniência". Estava, desde o início, previsto o alargamento da área geográfica da sua rede de distribuição, situação que se veio a confirmar muito em breve, com a obtenção das concessões de Silveiros (ainda em 1931) e de Monte de Fralães (no ano seguinte), tendo a instalação das respetivas linhas sido paga por subscrição daquelas freguesias. Ao mesmo tempo que eram dados os primeiros passos necessários à legalização da Cooperativa iniciou-se, também em 1931, a resolução dos aspetos administrativos e técnicos indispensáveis para o início da atividade de distribuição de energia elétrica, tais como a montagem das redes e a construção dos postos de transformação. Uma das primeiras medidas tomadas neste âmbito foi a celebração, com as Câmaras Municipais de Vila Nova de Famalicão e de Barcelos, de contratos de concessão para distribuição de energia elétrica para iluminação particular e força motriz.


    Para além destas iniciativas tendentes a completar o quadro legal em que a Cooperativa se iria movimentar, foi igualmente assinado em 1932 - embora o fornecimento já se registasse desde meados de Setembro do ano anterior - um contrato de fornecimento de energia elétrica com a União Eléctrica Portuguesa (U.E.P.), uma sociedade constituída no Porto em 28 de Novembro de 1919 com o objetivo de distribuir a energia produzida pela Central do Lindoso, e instalaram-se os primeiros postos de transformação, em número de três e do tipo torre, no Louro - Ribela (com uma potência de 20 kVA) e em Lemenhe - Cachada (com uma potência de 10 kVA), ambos para a distribuição no concelho de V. N. de Famalicão, e ainda em Viatodos - Campo da Feira (com uma potência de 15 kVA), para a distribuição no concelho de Barcelos. Os postos de transformação de Lemenhe - Cachada e de Viatodos - Campo da Feira foram ligados logo em 1931, mas o do Louro - Ribela só obteve a respetiva ligação em 1934. Enquanto decorriam todas estas diligências a Cooperativa iniciava a instalação da infraestrutura básica das suas redes de distribuição: postes, linhas, contadores e postos de transformação.

     

    Não obstante as dificuldades financeiras, a Cooperativa procurou efetuar uma permanente conservação da rede de distribuição assegurando, tanto quanto era possível, o regular fornecimento de energia e, de facto, nestes anos iniciais, as interrupções foram insignificantes, o que confirmava as boas condições em que se encontravam as linhas. Para além disso, constituiu igualmente uma preocupação da Cooperativa dar início à substituição, dada a sua debilidade, dos postes de pinheiro - os quais constituíam um dos seus maiores encargos - por outros de cimento, encontrando-se, já em 1936, o pessoal da Cooperativa apto a fabricá-los.

  • O novo rumo: saneamento financeiro e regularidade no abastecimento de energia elétrica

    Os propósitos da nova Administração da Cooperativa, eleita na Assembleia Geral de 20 de fevereiro de 1938, aparecem muito claramente definidos na introdução ao Relatório do Conselho de Administração relativo a 1937, no qual é traçada, em linhas gerais, a estratégia que aquela pretendia a partir de agora imprimir à Cooperativa Eléctrica de Vale d’Este. Os seus dois pontos altos constituíam uma clara vontade de melhoria da vida interna da Cooperativa e a garantia de uma eficaz prestação de serviços, aumentando a qualidade do fornecimento de energia elétrica.

     

    A reestruturação da atividade da Cooperativa posta em prática pelos Conselhos de Administração presididos pelo Dr. Daniel Nunes de Sá proporcionou resultados visíveis logo nos anos de 1938 e 1939. Para além das obras realizadas - como a conservação e melhoramento de toda a rede de distribuição -, merecem ser sublinhados outros aspetos igualmente importantes, relacionados com o facto do crédito e o bom nome da Cooperativa terem sido inteiramente recuperados, as suas ações estarem cada vez mais valorizadas, começando a ter procura, para além dos próprios fornecedores prestarem o seu reconhecimento pelo trabalho que vinha sendo realizado.

     

    O deflagrar da II Guerra Mundial criou uma conjuntura económica adversa, que se repercutiu negativamente na atividade da Cooperativa devido aos constantes aumentos do preço dos materiais elétricos e de construção - para além da sua cada vez maior escassez, assim como do custo da energia elétrica.

     

    Será, curiosamente, durante esta conjuntura adversa que a Cooperativa melhorará substancialmente a sua situação económica, registando nos anos de 1941 e 1942 significativos aumentos do ativo, assim como o desaparecimento neste último ano do saldo negativo da conta de Devedores e Credores.

     

    Embora as circunstâncias dos tempos que se atravessavam não permitissem a realização de grandes obras de renovação de linhas, foi possível dar continuidade ao processo de substituição por postes de cimento de todos os que se encontravam em más condições de conservação.

     

    A rápida melhoria da situação económica conseguida pela ação dos novos Conselhos de Administração possibilitou também a construção em 1939 de uma nova Sede social no terreno oferecido no ano anterior pelo associado José de Araújo Carvalho, permitindo a partir de então uma maior eficiência e regularização dos serviços. Os sucessivos Conselhos de Administração não só relançaram a atividade da Cooperativa como a ampliaram consideravelmente, conferindo-lhe a indispensável estabilidade, ao mesmo tempo que lhe garantiam uma sólida situação económica, pelo que não é de estranhar que em 1945 as contas da Cooperativa apresentassem o melhor saldo verificado desde a sua fundação.

  • A caminho da consolidação

    Desde o início da década de 1940, que se vinha registando uma grande estabilidade nos corpos gerentes da Cooperativa Eléctrica do Vale d’Este, particularmente no Conselho de Administração - composto pelo Dr. Daniel Nunes de Sá, Abílio da Costa Araújo e José da Costa Fernandes -, o qual se manteve praticamente inalterável, com apenas uma exceção, no período de 1941 a 1944. Esta estabilidade manteve-se também ao longo do período abordado neste capítulo, e ultrapassou-o largamente, pois só em 1972 é que se registará a primeira alteração, com a substituição de José da Costa Fernandes por Manuel da Costa Carvalho. Esta situação, aliada a uma cada vez maior vitalidade económica e ao bom estado geral da rede, traduziu-se num progresso efetivo da Cooperativa, situação que não só era regularmente espelhada nos preâmbulos dos sucessivos Relatórios anuais do Conselho de Administração como, mais importante do que isso, era constatada pelos associados que, dia a dia, observavam os melhoramentos realizados e beneficiavam das vantagens que daí advinham.

     

    Terminada a II Guerra Mundial, a Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este encontrava-se numa excelente situação, quer do ponto de vista financeiro quer do estado em que se encontrava a sua rede de distribuição. Não obstante esta situação favorável, o Conselho de Administração decidiu manter a estratégia já anteriormente seguida de permanente investimento na rede de distribuição, tanto mais que ainda não se tinha concluído uma das tarefas que considerava indispensável, a da substituição integral dos postes de pinho e eucalipto. O objetivo, segundo as próprias palavras do Dr. Daniel Nunes de Sá, era o de poder vir a satisfazer o desejo de melhorar ainda mais as redes de distribuição.

     

    As obras de beneficiação da rede de distribuição prosseguiam a bom ritmo, algumas das quais correspondendo também a imposições dos Serviços de Fiscalização Elétrica. Em 1949 procedeu-se à completa remodelação dos três quadros de baixa tensão, substituindo-se todas as caixas-fusíveis por material mais moderno e eficiente. No ano seguinte, a extensão das linhas apoiadas em postes de cimento, ferro e pontaletes, ultrapassava já os 70 quilómetros, o que colocava a Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este numa situação invejável pois devia ser difícil, no Portugal daquela época, encontrar outra distribuidora com uma rede equivalente à sua. Até então, em nenhum ano se tinha procedido a tantas obras de renovação como no de 1950, reforçando-se consideravelmente as linhas de Nine e do Louro sem, contudo, se descorar a rede de iluminação pública nas freguesias que a possuíam, tendo-se procedido a vários melhoramentos e à completa renovação da instalação aí existente, dado o seu mau estado de conservação e funcionamento. Apesar da boa situação económica da Cooperativa, a realização permanente de investimentos no melhoramento das suas infraestruturas, alguns deles bem apreciáveis, provocaram um considerável aumento das despesas, tanto mais que por vezes, como ocorreu em 1949, não era possível que o lucro resultante da venda de energia fosse suficiente para a cobertura daqueles elevados encargos.


    A década de 1950 não se iniciou da melhor maneira para a Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este, resultante de uma conjuntura difícil que marcou essencialmente os seus dois primeiros anos. Em primeiro lugar, não obstante o aumento constante do consumo de energia elétrica - proporcionada pelo reforço das linhas, assim como pela substituição e compra de novos transformadores, a sua tradução nos lucros era praticamente nula. A explicação residia no facto de se tratar de um maior consumo de força motriz que a Cooperativa vendia praticamente ao preço do custo. Deste modo, era essencialmente devido aos lucros auferidos com a venda de energia para iluminação doméstica que a CEVE conseguia manter uma situação desafogada. Segundo, porque o temporal desse inverno de 1951 originou sérias avarias no posto de transformação de Viatodos - Campo da Feira, motivando gastos consideráveis na sua reparação.


    Um dos grandes objetivos a que os sucessivos Conselhos de Administração se tinham proposto irá concretizar-se em 1953, com a finalização da gigantesca tarefa que foi dotar a Cooperativa, após tantos e porfiados anos, de uma rede de abastecimento totalmente apoiada em postes de cimento armado e ferro. No entanto, a atividade de consolidação das infraestruturas da Cooperativa irá prosseguir, com a sua atenção a virar-se agora dado que não havia mais postes a substituir - para a construção de novos postos de transformação, reforço de linhas e substituição de transformadores.


    Os anos de 1955 e 1956 irão constituir um marco significativo da atividade da Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este. Em 1957 concretizar-se-ão, finalmente, as negociações com a União Eléctrica Portuguesa, com a assinatura de um novo contrato, que proporcionou uma situação mais desafogada e tranquilizadora, permitindo dar continuidade à obra renovadora bem conhecida por todos os associados.

     

    As obras que a Cooperativa foi realizando ao longo deste período contribuíam para o constante aumento de consumo de energia eletromotriz, para usos agrícolas e industriais, permitindo a algumas freguesias um desenvolvimento verdadeiramente notável. Para o comprovar, bastaria citar o caso das freguesias do Louro, Nine e Viatodos, registando um elevado desenvolvimento devido à instalação de novas indústrias.

     

    No dealbar da década de 1960 - quando se aproximava o seu trigésimo aniversário, a Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este podia já orgulhar-se da obra realizada, apresentando quatro autênticos baluartes na eletrificação da sua região, representados pelas freguesias do Louro - a qual, por si só, apresentava um consumo global de 110.222 kWh, que constituía 36,80 % da energia vendida -, Nine, Viatodos e Mouquim, representando as quatro, no seu conjunto, 77,10 % de toda a energia vendida.


    O mais importante objetivo com que a Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este se irá debater até ao final deste período consistiu na eletrificação da freguesia de Gondifelos. Embora em 1960 ainda não tivesse sido concedida a prometida comparticipação do Estado para a eletrificação daquela freguesia, tudo se solucionava da melhor forma para a CEVE, pois a instalação do respetivo ramal de alta-tensão, a partir do posto de transformação nº 1, do Louro - Ribela, foi inteiramente realizada a expensas da União Eléctrica Portuguesa. Para além disso, a instalação daquele ramal permitiria mais tarde que a Cooperativa pudesse instalar um novo posto de transformação em Cavalões, de forma a melhor servir esta freguesia e também a de Minhotães.


    Embora a Cooperativa prosseguisse incansavelmente a atualização dos seus meios de transporte de energia, as preocupações do Conselho de Administração voltavam-se agora para a necessidade de proceder à renovação das concessões - que tinham sido obtidas por um período de trinta anos, iniciado em 1931, tanto no concelho de Barcelos como no de Vila Nova de Famalicão, objetivos veio a alcançar, no primeiro caso logo em 1962, no segundo, um pouco mais tarde.

  • Um novo ciclo de desenvolvimento

    Ao iniciar este novo ciclo de desenvolvimento, a Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este era uma entidade que já tinha adquirido uma considerável solidez, tanto do ponto de vista financeiro como da capacidade das suas infraestruturas. Contando com 1.636 consumidores abastecidos por uma rede com uma extensão apreciável, toda ela suportada por adequados postes de cimento, dispunha então de nove postos de transformação, adquirindo mais de 600.000 kWh de energia elétrica, dos quais vendia cerca de 490.000 kWh, com um ativo de 1.261.290$90 e um saldo positivo que nesse ano de 1963 atingiu os Esc.: 223.750$90.

     

    A Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este encontrava-se, deste modo, em condições de fazer face aos novos desafios que se avizinhavam, nomeadamente as implicações resultantes da entrada em funcionamento das novas modalidades de tarifas de energia, assim como dos investimentos que iria ter de efetuar, tanto na conservação e melhoria da rede como na projetada eletrificação da freguesia de Gondifelos.

     

    Não obstante a sua boa situação económica, a Cooperativa mantinha inicialmente uma certa apreensão sobre os efeitos que a adoção das novas tarifas poderia provocar. De facto, apesar de se prever um maior consumo de energia no terceiro escalão, os resultados que daí adviriam seriam praticamente nulos, podendo mesmo vir a ser negativos. Os resultados de 1963 vieram, no entanto, dissipar aquelas preocupações dado que se revelaram muito superiores ao que inicialmente se previra. Na realidade, o facto de se fomentar o aumento de venda de energia a preços mais reduzidos, não implicava necessariamente uma diminuição dos lucros da eletricidade vendida dado que existia, simultaneamente, uma evidente compensação pela obtenção de outras receitas.

     

    Deste modo, a CEVE poderia concretizar, sem problemas de maior, o seu plano de eletrificação da freguesia de Gondifelos - uma aspiração que datava de, pelo menos, 1934, cujos trabalhos já se encontravam bastante adiantados, não obstante o elevado investimento que aquele melhoramento requeria - superior a 50% do capital da Cooperativa - e o prometido auxílio por parte do Governo ter tardado a chegar.

     

    Em 1965, ano em que a CEVE viu aprovado o seu estatuto de entidade de utilidade pública, prosseguiram os trabalhos de reforço de linhas - uma exigência prévia à instalação de novos postos de transformação.

     

    A Cooperativa procurou também dar a maior colaboração à instalação de novas redes de iluminação pública, correspondendo à vontade e aos desejos das Juntas de Freguesia e da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, não obstante este tipo de melhoramentos representar um significativo encargo, ainda que contribuíssem fortemente para a valorização das freguesias.

     

    Os resultados do exercício de 1965 tinham evidenciado uma situação que começava a preocupar os dirigentes da Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este, dado que se vinha registando uma apreciável diminuição do lucro líquido quando a venda de energia ultrapassava os 100.000 kWh, ou seja, estava-se perante a "prova evidente de que houve bastante maior consumo no terceiro escalão, exatamente aquele que nenhum lucro nos dá (...)", podendo mesmo dar prejuízo, pois acabava por se vender abaixo do preço de custo.

     

    As transformações que ocorreram na sociedade portuguesa ao longo da década de 1960 fizeram-se igualmente sentir nesta região que integrava a área concessionada pela Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este. O progressivo aumento do nível de vida material das populações - reflexo, em grande medida do facto de se estar perante uma região de forte emigração que agora começava a investir localmente os proventos arrecadados no estrangeiro -, com o constante aumento do número de novos fogos, assim como da generalização do uso de eletrodomésticos e da instalação de novas indústrias, conduziu a uma situação de aumento contínuo do consumo de energia elétrica.

     

    Ao aproximar-se o início da década de 1970, com a situação económica estabilizada e uma rede de distribuição plenamente consolidada, a Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este sentiu necessidade de não só efetuar um balanço do caminho percorrido há quase quatro décadas, como de prestar um reconhecimento público a todos aqueles que tinham tornado possível aquela caminhada. E, entre estes, ressaltava a figura do Dr. Daniel Nunes de Sá que desde 1935 integrava o Conselho de Administração da Cooperativa, desempenhado desde 28 de Fevereiro de 1937 as funções de seu Administrador-Delegado. Assim, na Assembleia Geral realizada em 30 de Março de 1969, sob proposta do sócio da CEVE e seu antigo Guarda-Livros, Senhor José Torres, foi aprovada por aclamação de todos os participantes a atribuição de uma medalha de ouro ao Dr. Daniel Nunes de Sá, em homenagem à dedicação e ao trabalho que ao longo dos anos vinha desenvolvendo em prol da Cooperativa.

     

    Apesar do bom ritmo de realizações no âmbito da conservação e expansão das suas infraestruturas, a Cooperativa iniciava a década de 1970 com alguma apreensão. De facto, avolumavam-se as dificuldades de distribuição, motivadas pelo constante aumento do número de residências construídas e de novas indústrias instaladas, o que sobrecarregava excessivamente as redes de distribuição.

     

    A partir de 1972, a Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este irá entrar numa fase de sucessivos resultados negativos, que se prolongará até 1977. No entanto, embora o prejuízo verificado com a venda de energia no terceiro escalão constituísse uma preocupação a ter em conta, a razão principal que explicava esses resultados negativos resultava do facto de ter optado, durante este período, pela prossecução de uma política de reintegrações do valor do ativo corpóreo, com o objetivo de reforçar a sua consolidação.

     

    O principal problema com que a Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este se debateu durante este período residia, de facto, noutra questão, a dos consumos verificados no terceiro escalão, os quais, enquanto as tarifas de venda de energia não fossem modificadas, originariam um prejuízo constante. Não obstante se verificar um substancial incremento do consumo, não se registava um correspondente aumento dos lucros, pois a maioria dos consumidores estava a pagar a energia pelo preço do terceiro escalão, o qual não deixava a menor margem de lucro, originando até prejuízo. Apesar deste elevado consumo no terceiro escalão, a CEVE pouco ou nada lucrava com esta venda de energia, criando-se uma situação que, de facto, exigia uma urgente alteração, tanto mais que quase todos os outros distribuidores já tinham modificado as suas tarifas.

     

    Por conseguinte, era imprescindível uma atualização das tarifas de venda de energia elétrica - nomeadamente a respeitante ao terceiro escalão -, para valores que fossem aceitáveis tanto para a distribuidora como para os consumidores, para que a CEVE pudesse conseguir um equilíbrio financeiro indispensável à sua viabilidade económica. Esse irá ser o objetivo principal a que, a partir de agora, irá consagrar toda a sua atenção, tomando a iniciativa de enviar, em Novembro de 1972, a cada uma das autarquias da sua área de concessão, um pedido de revisão do artigo dos respetivos cadernos de concessão respeitante às tarifas e condições de serviço.

     

    O pedido de atualização das tarifas apresentado pela CEVE veio a ser aprovado pelo Secretário de Estado da Indústria, Dr. Hermes Augusto dos Santos, em 28 de Fevereiro de 1974, sendo essa deliberação comunicada à Cooperativa por ofício da Repartição de Concessões da Direcção-Geral dos Serviços Elétricos, de 8 de Março de 1974. Valerá a pena transcrever a anotação manuscrita, exarada na informação interna da Direcção-Geral dos Serviços Elétricos, que veio a merecer a aprovação do Secretário de Estado da Indústria.

     

    Na Assembleia Geral realizada em 31 de Março de 1974, o Dr. Daniel Nunes de Sá pôde já informar os acionistas dos resultados positivos que o pedido de atualização das tarifas tinha merecido por parte do Secretário de Estado da Indústria. Não obstante esta boa notícia, insistiu ainda em salientar os efeitos negativos que o elevado consumo no terceiro escalão tinha provocado à Cooperativa. Esta intervenção, proferida na última Assembleia Geral realizada antes do 25 de Abril, permite-nos também apreciar alguns dos aspetos da atividade da CEVE, nas vésperas de um acontecimento político na sequência do qual irão ser introduzidas profundas alterações no sector elétrico nacional.

     

    Os efeitos provocados pela atualização das tarifas de venda de energia registaram-se de imediato, ainda nesse mesmo ano de 1974, com a obtenção de um saldo positivo de Esc. 658.447$95, um quantitativo que, no entanto, a Cooperativa considerava não ser ainda suficiente para alcançar aquele clima tranquilo que tinha conhecido num passado não muito distante.

     

    Não obstante a compensação obtida com a atualização das tarifas, os problemas não tinham deixado de se manifestar, pelo que pairavam sobre o futuro da Cooperativa duas ameaças que se apresentavam preocupantes.

     

    A primeira, dizia respeito à anunciada introdução de novos sistemas tarifários que iriam ser impostos aos distribuidores - prevendo-se o aumento do preço do kWh em alta tensão -, medida que a Cooperativa esperava que não viesse a ser demasiado desfavorável, acabando por anular os benefícios resultantes das correções tarifárias entretanto efetuadas, as quais, em boa verdade, não tinham sido nem eram ainda suficientes para fazer face ao contínuo incremento dos encargos.

     

    A segunda ameaça que pairava sobre o futuro da Cooperativa decorria da nacionalização, em 16 de Abril de 1975, das principais empresas concessionárias de produção, transporte e distribuição de energia elétrica na sequência da qual foi criada, no ano seguinte, a EDP - Electricidade de Portugal, sob a forma jurídica de Empresa Pública, e para a qual foram transferidos os patrimónios que eram da titularidade das empresas nacionalizadas. A esta nova Empresa foi atribuído, em exclusivo e por tempo indeterminado, o exercício do serviço público de produção, transporte e distribuição de energia elétrica em todo o território continental, situação que no entanto viria a ser alterada em 1995 com a reestruturação então efetuada e a consequente criação da Entidade Reguladora do Sector Eléctrico. Deste modo, o futuro da Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este parecia estar comprometido, chegando o próprio Dr. Daniel Nunes de Sá a admitir que ela apenas continuaria em atividade "até que o Governo determine, como tudo indica, a integração da Cooperativa na EDP".

     

    Eram, de facto, muitos e bastante complexos os problemas de uma distribuidora de características como as da Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este, com uma rede de distribuição demasiado extensa em algumas freguesias fundamentalmente rurais, cujo consumo de energia era muito escasso. A agravar toda esta situação, assistia-se nos últimos anos a um constante aumento do custo da energia, o que fazia com que as taxas de potência fossem o seu único meio de sobrevivência, embora na conjuntura inflacionária que então se registava tal não fosse suficiente para assegurar o pagamento atempado das faturas de energia à Empresa fornecedora em alta tensão. Como foi frequentemente sublinhado a CEVE vivia, nesta época, essencialmente das taxas de potência. Não obstante este constrangimento, a Cooperativa prosseguia infatigavelmente a sua política de melhoria e renovação das infraestruturas, procurado limitar as áreas de abastecimento, reforçando as linhas existentes, instalando novos ramais e construindo novos postos de transformação, assegurando uma mais eficiente distribuição de energia, com a constante diminuição de perdas, o que não deixava de constituir pesado encargo administrativo.

     

    O início do ano de 1979 é marcado por um infausto acontecimento para a vida da Cooperativa com o falecimento, em 2 de Fevereiro, do Dr. Daniel Nunes de Sá.

     

    À medida que se aproximava o final dos anos 70, podia-se facilmente constatar que aquela tinha sido uma década de constante aumento do consumo de energia elétrica na área de distribuição da Cooperativa, o que, obviamente, exigia constantes reforços de linhas e montagem de novos postos de transformação, necessitando estes de ser equipados com transformadores cada vez mais potentes. Eram os sinais dos tempos, numa região em que se registava um acentuado desenvolvimento socioeconómico, proporcionado em grande parte pela energia elétrica distribuída pela CEVE, assim como pela aplicação das economias dos emigrantes que agora começavam a regressar para se estabelecerem com pequenos comércios e indústrias.

     

    A década de 1980 inaugurou-se da melhor forma para a Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este, dado que no seu primeiro ano registou um lucro excecional, o melhor de sempre, no montante de Esc.: 3.337.971$62, constituindo uma prenda à altura do seu 50º aniversário, que seria comemorado em 18 de Dezembro desse ano.

     

    Com o aproximar do final do ano, começou a preparar-se um conjunto de cerimónias tendo em vista as comemorações do Cinquentenário da Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este. Para além da cunhagem de uma medalha de bronze - que seria oferecida a todos os sócios, empregados, e entidades civis e religiosas - foi elaborado um programa específico de comemorações, as quais se iniciaram com uma homenagem a todos os sócios fundadores, simbolizados nas pessoas dos dois primeiros Administradores-Delegados e grandes impulsionadores da Cooperativa, o Dr. Augusto Ferreira Machado e o Senhor Álvaro Gonçalves Ferreira de Macedo.

     

    A situação financeira da Cooperativa, embora não se pudesse considerar preocupante, apresentava no entanto alguns sintomas de que algo não corria bem. Na realidade, o lucro da energia vendida vinha decrescendo de ano para ano, culminando em 1981 com um prejuízo de Esc. 2.304.946$25. Para alem disso, as taxas de potência continuavam a ser o suporte financeiro da Cooperativa. Aliás, só uma atenta revisão das taxas de potência por parte da Cooperativa ia tornando possível que esta conseguisse obter algum lucro na sua atividade distribuidora.

     

    Entretanto, tinham sido promulgados vários diplomas legislativos que implicavam profundas alterações no sector cooperativo nacional e, consequentemente, na atividade da Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este, a qual necessitava de se dotar de novas estruturas jurídicas que possibilitassem a sua continuidade. Este conjunto de diplomas englobava o Decreto-Lei nº 454/80, de 9 de Outubro - que aprovava o Código Cooperativo -, o Decreto-Lei nº 456/80, igualmente de 9 de Outubro - que aprovava medidas fiscais a aplicar às cooperativas -, assim como as respetivas Portarias, publicadas posteriormente. Um pouco mais tarde, foi também promulgado o Decreto-Lei nº 323/81, de 4 de Dezembro, que regulamentava as Cooperativas de Prestação de Serviços, abreviadamente designadas por Cooperativas de Serviços.

     

    Esta situação levou a que a CEVE necessitasse de se adaptar à nova legislação, introduzindo as indispensáveis alterações nos seus Estatutos. Deste modo, na sequência de um aturado estudo tendo em vista a reformulação estatutária visando a integração da Cooperativa no âmbito da legalidade vigente, foram apresentados os novos Estatutos, que obtiveram uma aprovação unânime, sem quaisquer alterações, na Assembleia Geral Extraordinária realizada em 29 de Julho de 1982.

     

    Para além destes documentos legislativos, importa ainda salientar a promulgação, em 20 de Maio de 1982, da Resolução do Conselho de Ministros n.º 112/82, que definiu os princípios fundamentais para uma resolução global dos problemas referentes à distribuição de energia elétrica em baixa tensão, uma situação que se vinha arrastando há já algum tempo. Dois outros documentos com implicações importantes para a atividade da Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este foram também promulgados neste período, como o Decreto-Lei nº 344-A/82, de 1 de Setembro - que criava uma moldura legal destinada à uniformização da tarifa de energia elétrica praticada em todo o País -, e o Decreto-Lei nº 344-B/82, de 1 de Setembro - que estabelecia os princípios gerais da distribuição de energia elétrica em baixa tensão, bem como as condições a que deviam obedecer os contratos de concessão a favor da EDP, quando a exploração fosse efetuada nesse regime. Como veremos, este último Decreto-Lei revelar-se-á muito importante para a própria existência da CEVE pois, pela nova redação do seu artigo 1º - introduzida pelo Decreto-Lei n.º 297/86, de 12 de Setembro - virá a ser alargada às cooperativas a possibilidade de atribuição da concessão da distribuição de energia elétrica em baixa tensão, preenchendo-se assim uma lacuna existente na legislação que tinha sido anteriormente promulgada.

     

    O extraordinário desenvolvimento que a Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este tinha registado desde a sua fundação exigia que estivesse dotada dos meios materiais necessários a um adequado desempenho das suas tarefas. Nesta altura, as instalações da sua Sede Social, construídas em 1939, não só eram exíguas como já não dispunham de um mínimo de condições de trabalho para os serviços administrativos e, muito menos, para armazenar os materiais que as suas necessidades então obrigavam. Constatada aquela necessidade, e depois de aturados estudos e difíceis negociações, foi decidida a aquisição de um terreno para a construção de uma nova Sede.

     

    Em 1982 a Cooperativa pôs em prática um vastíssimo plano de realizações que, entre muitas outras iniciativas, levou à construção de um importante conjunto de novos postos de transformação, que viria também a resolver o problema das quedas de tensão que se verificavam em vários pontos da rede.

     

    Não obstante os elevados custos resultantes de todos estes investimentos, a Cooperativa chegou ao final do ano de 1982 com um saldo positivo de Esc. 4.340.442$00, o que, em termos financeiros, constituía o melhor resultado obtido desde a sua fundação.

     

    Apesar desta situação bastante auspiciosa, pairava no horizonte um problema que cada vez mais se afigurava preocupante, o do débito à Eletricidade de Portugal. Em finais de 1982, a Cooperativa tinha um débito à EDP de Esc. 20.253.935$80, uma importância que, à primeira vista, parecia assustadora e de difícil liquidação.

     

    Este período de vinte anos da vida da Cooperativa Eléctrica de Vale d'Este, entre 1963 e 1983, que consideramos corresponder a um novo ciclo de desenvolvimento, terminou da melhor maneira, ainda que com nuvens cada vez mais carregadas a perfilarem-se no horizonte. Pode dizer-se que, ao nível dos resultados, a Cooperativa vinha batendo todos os recordes conquistados anteriormente, como os de 1980 e 1982, uma vez que o resultado do exercício desse ano de 1983 - que alcançou o valor de Esc. 5.918.636$70 - constituiu o melhor de sempre desde a fundação, o que ao mesmo tempo era bem demonstrativo da boa gestão que vinha sendo conferida à sua atividade.

  • A conquista do crescimento sustentado

    Para além de uma permanente intervenção na rede de distribuição no sentido de reforçar e melhorar as condições de transporte e fornecimento de energia elétrica, este período da história da Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este, que nos transporta até à atualidade, irá ser marcado por duas fases essenciais. A primeira, até 1993, durante a qual a Cooperativa procurou resolver um problema que, com o decurso do tempo, se afigurava cada vez mais preocupante. Este, dizia respeito às dívidas contraídas pelas Câmaras Municipais de Vila Nova de Famalicão e de Barcelos - com especial incidência para a da primeira -, que durante demasiado tempo não assumiram os compromissos que tinham para com a Cooperativa, criando-lhe graves dificuldades, para as quais também contribuiu a atitude da Eletricidade de Portugal. A segunda, após 1993, caracterizada pelo reinício de um processo de recuperação e consolidação do seu desenvolvimento estrutural, traduzido na modernização dos meios, valorização dos recursos humanos, e no reforço da estrutura da sua rede de distribuição de energia.

     

    Este último período da história da Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este iniciou-se de uma forma bastante auspiciosa, com o resultado do ano de 1984 a alcançar a considerável soma de Esc.: 11.022.978$20, a qual batia todos os recordes de exploração registados anteriormente, e passava a constituir o melhor resultado obtido pela Cooperativa desde a sua fundação. Para além disso, vislumbrava-se, a curto prazo, a cobertura total de postos de transformação dentro da sua área de concessão, permitindo-lhe que a partir de então se entrasse numa fase de simples conservação e manutenção das linhas existentes.

     

    A dimensão que as dívidas contraídas pelas Câmaras Municipais de Vila Nova de Famalicão e de Barcelos começou a preocupar também os cooperantes, temendo que o seu arrastamento acabasse por provocar, como única solução face à dívida acumulada, a integração da CEVE na Eletricidade de Portugal.

     

    Depois de um longo processo, é promulgado o Decreto-Lei nº 297/86, de 19 de Setembro, através do qual a CEVE viu confirmada a legitimidade em manter o seu estatuto de distribuidora de energia elétrica, que tinha sido posto em causa pelo Decreto-Lei nº 344-B/82.

     

    Os anos de 1983 a 1985 foram consagrados à construção do novo edifício da Sede da Cooperativa, que no início de 1986 se encontrava já na fase de acabamento, conseguindo-se com aquela obra a criação de espaços reservados a escritórios administrativos e técnicos, armazém e oficinas, compatíveis com a dimensão e as necessidades que a CEVE já há muito patenteava.

     

    Com o progressivo regresso à normalidade - após a resolução das intricadas questões do direito de distribuição de energia elétrica, do contencioso com a EDP motivado pelas dívidas das autarquias, assim como a satisfação dessas mesmas dívidas, e do aumento dos custos da energia decorrentes da introdução do I.V.A., a Direção começou a preocupar-se com a resolução de outros problemas igualmente importantes para a atividade da Cooperativa, como o da necessidade de aumento do capital social.

     

    O ano de 1990 constituiu, de certa forma, um momento de transição para uma nova época durante a qual a atividade da Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este irá ser particularmente intensa. Resolvidos os problemas fundamentais que até então tinham perturbado a atividade da Cooperativa, a sua Direção irá dedicar-se agora ao estabelecimento e consolidação de boas relações institucionais com as principais entidades às quais, pela sua atividade, estava ligada: as Câmaras Municipais de Vila Nova de Famalicão e Barcelos, e a Eletricidade de Portugal.

     

    Com o panorama das relações institucionais desanuviado, o futuro da Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este apresentava-se cada vez mais auspicioso. Era a primeira vez que tal acontecia, desde há vários anos, pelo que a Direção da CEVE se podia considerar satisfeita. A considerável melhoria da situação financeira permitiu que a partir de agora se incrementassem as iniciativas tendentes ao melhoramento da rede de distribuição, as quais vieram a decorrer com um ritmo verdadeiramente notável.

     

    Com a sua atividade a decorrer normalmente, a Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este irá agora encarar com toda a naturalidade a resolução de uma nova questão, suscitada pela necessidade de se celebrarem novos contratos de concessão com as autarquias de Barcelos e de Vila Nova de Famalicão.

     

    A Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este entrava assim num período de estabilidade, podendo consagrar-se inteiramente ao seu objetivo central, o da permanente melhoria da qualidade dos serviços que prestava aos seus cooperantes e clientes, dispondo de uma excelente situação económica que lhe permitia a entrada num período de autêntico crescimento sustentado.

     

    Uma das mais notáveis inovações que a Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este então introduziu na sua atividade consistiu na total remodelação do seu Sector Administrativo, que em 1993 foi equipado com um sistema informático e um novo sistema de leituras/cobranças, havendo necessidade de se instalar, em 1995, um novo programa de gestão de contas bancárias e na receção dispositivos de cobrança automática, nomeadamente um terminal multibanco e porta-moedas eletrónico. O desenvolvimento constante dos serviços exigiu também que em 1996 fosse substituída a unidade central do sistema informático, por uma outra de maior capacidade, possibilitando agora uma maior velocidade, capacidade de armazenamento e de gestão da informação.

     

    Por seu turno, o novo sistema de leituras/cobranças traduziu-se igualmente num grande melhoramento, passando a partir de então os leitores/cobradores da CEVE a estar equipados com terminais portáteis de leitura/cobrança (TPL/TPC), deixando de utilizar os antiquados "livros de leituras", cujos elementos eram posteriormente introduzidos manualmente no sistema informático, com maiores probabilidades de erro e perdas de tempo que já se tornavam incomportáveis.

     

    O Setor Técnico e de Exploração registou também um incremento notável, com a execução de um conjunto de obras novas e de conservação de grande vulto, não só para reparar deficiências acumuladas durante vários anos de dificuldades, como para dar resposta ao crescente número de aglomerados populacionais que se vinham constituindo e ao consequente aumento do consumo.

     

    A partir de 1994, o ritmo de instalação de novos postos de transformação foi verdadeiramente impressionante, tendo sido construídas, até ao final da década, 23 novas unidades. Para além das obras de renovação e conservação, foram construídos ainda nesse ano quatro novos postos de transformação - Cavalões - Anta, Stª Eulália - Carvalheira, Jesufrei - Igreja, e Louro - Stº António -, envolvendo um investimento de Esc. 23.460.000$00.

     

    Esta última fase da Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este registou um verdadeiro salto qualitativo, com o alargamento da sua atividade a novos setores de intervenção, como a cooperação com as Juntas de Freguesia e outras entidades, a institucionalização da formação profissional, a elaboração do "Projeto dos Edifícios Saudáveis", e a ampliação das suas instalações. Merecem ser igualmente assinalados os Projetos de Alargamento da Base Social da CEVE (Regularização de Títulos de Capital) e de Gestão de Energia e Conforto nas Habitações, assim como o Cadastro da Rede e Sistema de Georreferenciação, a modernização do sistema informático, as preocupações ambientais, e as obras de reabilitação do edifício da antiga Sede.

     

    A partir de 1998 a Cooperativa inicia um trabalho de cooperação com as Juntas de Freguesia da sua área de concessão, ouvindo regularmente os seus comentários, sugestões ou, mesmo, críticas à atividade realizada, o que se traduziu num exercício extremamente importante, proporcionando uma maior eficácia a ambas as partes.

     

    Também a formação profissional vinha sendo, desde há alguns anos, uma das grandes apostas da Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este, desenvolvendo-se ações de formação com vista à contínua atualização dos seus trabalhadores, nos seus vários domínios de atividade. As ações de formação englobaram tanto o pessoal técnico como o administrativo, sendo ministradas não só por formadores exteriores, mas também pelos funcionários mais qualificados do quadro interno.

     

    A cooperação com outras entidades constituiu também uma das iniciativas que a Direção da Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este concretizou nesta sua última fase. Deste modo, perante uma solicitação apresentada em princípios de 1998 pela Escola C+S de Viatodos, no sentido da Cooperativa colaborar na eletrificação do seu campo de jogos. Durante o ano de 1999 e por proposta dos respetivos agentes promotores, a Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este apoiou financeiramente um grupo de desenvolvimento local, liderado pela Junta de Freguesia do Monte de Fralães, na promoção de um concerto musical aberto a toda a população. No ano 2000 salienta-se, também, a cooperação com a Associação de Futebol Ninense, a qual, no âmbito da sua iniciativa de construção do novo recinto desportivo e edifícios de apoio, tinha solicitado a colaboração da CEVE. O pedido foi atendido com a oferta do projeto de todas as instalações elétricas, incluindo o estudo da iluminação do Campo de Futebol.

     

    O apoio prestado a entidades externas não diminui a preocupação em melhorar continuamente as condições de trabalho nas instalações da Cooperativa. Antes pelo contrário. Em Dezembro de 1998, foi adjudicada a obra de um novo edifício, destinado a garagem e armazém - localizado no lado poente da atual Sede e designado por edifício E3 -, o qual entrou em pleno funcionamento em meados de 2000.

     

    Também em finais de 1998, a Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este começou a desenvolver um Projeto que designou de "Edifícios Saudáveis", estabelecendo um acordo de princípio com uma equipa técnica bastante qualificada na área da qualidade ambiental de edifícios. O objetivo, era o de, numa primeira fase, lançar o desafio aos cooperantes - consumidores, no sentido de se realizarem auditorias ambientais às suas residências, das quais resultasse um relatório identificando as circunstâncias físicas concretas que diminuíam o conforto térmico, acústico e ambiental, preconizando soluções, e dando ao cooperante uma ideia da relação custos-vários níveis de conforto, no caso concreto da sua habitação.

     

    Ainda em 1998, a Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este deu início à concretização de dois novos projetos, extremamente importantes para o reforço da dimensão social da sua atividade e dos objetivos de cooperação com os seus consumidores: o "Projeto de Alargamento da sua Base Social" (com a regularização dos títulos de capital) e o "Projeto de Gestão de Energia e Conforto" nas habitações dos utentes da Cooperativa.

     

    Quanto ao "Projeto de Gestão de Energia e Conforto" nas habitações dos utentes da Cooperativa, estava previsto o seu desenvolvimento em duas vertentes, sendo a primeira preenchida pela edição e distribuição de uma brochura informativa, para sensibilização de todos os consumidores relativamente a conceitos de conforto, correlacionados com o consumo de energia. A segunda vertente abordava aquilo que foi designado por "avaliação ambiental", a ser desenvolvida em projetos de edifícios ou de habitações já existentes, sempre por solicitação do cooperante-consumidor.

     

    Em 2001, a Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este avançou na concretização de mais um importante projeto - o da criação de um moderno instrumento de gestão, com base no cadastro de toda a rede de distribuição e de um sistema de georreferenciação, o qual foi concluído ainda nesse mesmo ano. Elaborou-se, desse modo, a cartografia planimétrica de todo o território da área de concessão da Cooperativa, desenvolvendo-se uma base de dados complementar, a qual viria a integrar o Sistema de Informação Geográfico que se pretendia implementar.

     

    Também as preocupações ambientais começaram a preencher um lugar cada vez mais importante na atividade corrente da Cooperativa Eléctrica do Vale D'Este. Constatando que grande número das armaduras de iluminação pública eram equipadas com lâmpadas de vapor de mercúrio, a Direção da CEVE iniciou um processo de alteração das mesmas, não só para evitar os efeitos poluentes do mercúrio como do problema da falta de soluções para o seu encaminhamento após o término do respetivo período de vida.  As preocupações da CEVE no sentido de encontrar uma solução para evitar aquelas consequências traduziram-se na adoção de um novo tipo de lâmpada que não utilizava o vapor de mercúrio, ao mesmo tempo que iniciava a substituição progressiva daquelas que ainda estavam instaladas na rede de iluminação pública.

     

    A Cooperativa Eléctrica do Vale d’Este efetuava a transição do milénio - cumprindo, igualmente, 70 anos de excelentes serviços prestados aos seus consumidores - numa situação bastante confortável. Com efeito, a rede de distribuição encontra-se razoavelmente remodelada - tanto ao nível do seu dimensionamento, como da sua robustez -, sendo perfeitamente capaz de prestar um serviço com boa qualidade. Para além disso, iniciou-se a concretização de um plano de otimização da rede existente, com a construção de novos postos de transformação, a fim de se reduzir a extensão das ligações entre os existentes e, consequentemente, diminuir as perdas de energia em transporte e transformação. Esta opção contribui igualmente para um aumento da fiabilidade da rede, reduzindo as consequências das eventuais interrupções de fornecimento de energia. A adequação desta estratégia foi plenamente confirmada, ainda em 2001, com a elevada adesão de 280 novos consumidores, e o reforço da potência instalada em mais 77.

     

    A Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este encontrava-se, por conseguinte, numa situação de crescimento consolidado, apoiada numa estrutura robusta e bem organizada, capaz de enfrentar os desafios da modernidade e da qualidade. Embora já há bastante tempo que vinha adotando uma estrutura empresarial, isso não significava um afastamento dos princípios cooperativistas que estiveram na base da sua fundação.

     

    A qualidade dos serviços prestados aos consumidores, confirmada pela avaliação que periodicamente passou a ser efetuada à sua própria atividade e, em particular, pela baixíssima taxa de reclamações apresentadas por parte dos consumidores, assim como pelas referências favoráveis que todas as entidades - em particular, as autarquias - lhe vêm dirigindo, testemunham a correção da orientação seguida. Mas, importa sublinhá-lo, não fosse a competência de todos os trabalhadores da CEVE, o seu sentido da responsabilidade e de missão, dignificando a imagem da Cooperativa, nada do que foi descrito anteriormente teria sido possível e a Cooperativa Eléctrica do Vale d'Este não seria, como efetivamente é, no reconhecimento público aqui traduzido nas palavras da sua Direção, "uma empresa diferente que presta um serviço público de qualidade".

  • Os desafios do novo Milénio

    A CEVE iniciou o novo milénio numa situação francamente positiva, de crescimento consolidado, sustentada numa estrutura robusta e bem organizada, capaz de enfrentar os desafios que a nova situação de liberalização do mercado da eletricidade, em curso desde o ano 2000, lhe colocou, no âmbito da sua modernização e da qualidade dos serviços prestados aos consumidores.


    O início deste período decorreu sob a expectativa de abertura do Mercado Ibérico de Eletricidade, iniciativa conjunta dos governos de Portugal e Espanha visando a criação de um mercado regional de eletricidade na Península Ibérica, com interligação às redes transeuropeias de transporte e de distribuição de eletricidade. Circunstâncias diversas de carácter político viriam a fazer com que o início da atividade deste organismo fosse sendo adiada.


    Para fazer face às novas exigências do mercado, a CEVE deu continuidade aos investimentos que, ativamente, sempre materializou ao longo da sua história: dotação de todas as infraestruturas e de competências técnicas — instalação de um programa informático de gestão, contratação de uma equipa especializada de consultoria económica e financeira e reajuste dos seus Estatutos (a adequação do conceito da natureza dos serviços prestados e da área geográfica de atuação). Neste sentido, os ramos de distribuição e comercialização tornaram-se ainda mais especializados, adotando a CEVE uma nova imagem global promotora de uma maior presença no mercado e de uma melhor estratégia de comunicação.


    O processo de liberalização do mercado de eletricidade teve início em 2007, com a transposição da diretiva comunitária para a legislação portuguesa, estabelecendo que, a partir de 1 de Julho desse ano, todos os clientes consumidores de energia elétrica poderiam optar livremente pelo fornecedor de energia que mais lhes conviesse. Assim, em 2008 a CEVE candidata-se ao primeiro concurso para o regime bonificado de microprodução de energia elétrica e obtém o respetivo alvará. Adquire também uma unidade de microprodução de energia fotovoltaica, representativa pelas vantagens inerentes e pedagógica e referencialmente ilustrativa, perante os cooperadores e os consumidores, de um dos cursos futuros em vias de generalização neste setor. Em 2010 concluir-se-ia o projeto de cobertura de todos os pontos de leitura de energia produzida por microprodução, além da introdução da telecontagem, na vanguarda da construção de uma rede de distribuição inteligente.


    Relativamente às transformações profundas que o mercado liberalizado de energia trouxe a este setor, a CEVE privilegiou sempre a adoção dos procedimentos mais adequados e vantajosos para si, para os seus clientes e para com os seus fornecedores. Implementou, progressivamente, todas as ações necessárias junto dos seus consumidores, na sequência da extinção das tarifas reguladas, com a cessação do papel do Estado na definição dos preços de energia, adaptando a sua estrutura e o seu modus operandi a esta nova realidade, ficando em 2011 habilitada a comercializar energia em mercado liberalizado e vivenciando, de modo implicado, as diferentes etapas de transição deste processo. Entre 2012 e 2015, com a extinção do mercado elétrico regulado na comercialização de energia em baixa tensão iniciou-se o derradeiro período de transição para o mercado liberalizado de energia neste âmbito. No seguimento desta mudança, a CEVE reajusta as suas linhas de orientação, bem como muitas das suas políticas, reforçando as suas competências na área comercial, nos recursos humanos e técnicos, preparando-se ativamente para dar resposta às novas exigências entretanto surgidas na comercialização energética. Até finalizar este período de transição, as atividades da distribuição de energia e da comercialização foram separadas funcional e contabilisticamente, dada a manutenção de estatuto de administradora regulada.


    A regulamentação europeia para o mercado europeu de eletricidade previa a adoção, para cada país, dos mesmos princípios no seu quadro legal, nomeadamente assumir a obrigatoriedade de evoluir para a liberalização da comercialização de energia, extinguindo definitivamente o mercado regulado. Em Portugal, o Memorando de Entendimento inerente ao Programa de Assistência Financeira estabeleceu uma calendarização para a extinção das tarifas reguladas de venda de eletricidade, confrontando-se a CEVE com o desafio de cessação segmentada do mercado regulado de energia e, como tal, de superação das dificuldades referentes às especificidades da sua dimensão: preparar-se para operar em ambiente de mercado liberalizado de energia elétrica, em termos organizacionais e comerciais. Cria-se, assim, a marca “CEVE Comercial”, que inicia a sua atividade no mercado liberalizado de energia em Julho de 2012, refletindo a implementação de uma política comercial clara por parte da CEVE e proporcionando vantagens inequívocas a todos os seus consumidores que pretendessem transitar diretamente do mercado regulado para o liberalizado. No final desse ano, o número de consumidores ativos no novo mercado era francamente positivo e marcado pela adjudicação do fornecimento de energia em contexto escolar, em sequência de participação pioneira num concurso público. Ao longo do tempo, a “CEVE Comercial” foi continuamente investindo em políticas benéficas para os novos clientes, com entrada direta para o mercado liberalizado.


    No mercado da eletricidade, as contínuas alterações que foram surgindo suscitaram sempre na CEVE uma resposta atempada e preventiva, com vista a garantir a continuidade da qualidade dos serviços prestados aos seus consumidores. Para cumprir este objetivo maior, tornou-se premente dar continuidade ao investimento na modernização da sua infraestrutura elétrica, a par da manutenção da sua política de qualidade, e da elaboração de novos planos de atuação (realização do cadastro da rede elétrica, com a aquisição de um novo sistema de informação geográfica, com possibilidade de análise do estado da rede em tempo real; elaboração de um plano de comunicação e parcerias).


    Nesta etapa histórica, a CEVE investiu, ainda, na implementação de um sistema de gestão da qualidade, a par da constante modernização da sua infraestrutura elétrica e do investimento nos meios técnicos e na qualificação dos seus colaboradores. Ajustou os seus sistemas informáticos, para articulação das bases de dados técnica e comercial, uma interligação fundamental para a melhoria da consistência dos dados e para possibilitar um conjunto de pesquisa de informações muito relevantes para a melhoria contínua da qualidade dos serviços prestados aos clientes.
     
    No plano comunicacional, desde 2008 que a CEVE tem vindo a operar mudanças estruturais: nos seus planos anuais, com melhorias significativas e reflexos positivos junto dos seus clientes e cooperadores, através da subcontratação de uma nova equipa de consultoria e da definição de uma nova estratégia e consequente nova linha de comunicação, traduzida em três objetivos essenciais: comunicação institucional, responsabilidade social e informação ao cliente. É inclusivamente com vista à melhoria do serviço prestado ao cliente que, em 2014, a CEVE desenvolve uma nova plataforma de gestão de ordens de serviço, facilitadora da desmaterialização das mesmas e garantindo uma gestão mais eficaz. Paralelamente, concebe um portal de comunicação para aproximação aos clientes e acesso do público, em geral, e dos cooperadores, em particular.


    Em termos transversais e debruçando-nos sobre áreas de intervenção mais latas da CEVE, importa sublinhar o permanente investimento desta organização na formação profissional contínua para qualificação e atualização dos seus recursos humanos de todos os setores, salvaguardando também a prevenção e segurança no trabalho. De salientar que a construção e o equipamento de novos postos de transformação, as obras de renovação e conservação dos postos de transformação existentes e a instalação gradual de sofisticados aparelhos de medida nestes postos, os contadores estáticos ou digitais, visando a monitorização do fornecimento de energia, medidas anteriores a esta etapa histórica que aqui descrevemos, levaram a que a atividade predominante do corpo técnico da CEVE assumisse, gradualmente, um carácter preventivo, dada a melhoria no estado de conservação da infraestrutura de distribuição e a consequente minimização das tradicionais anomalias. Neste sentido, a partir de 2008 é, por isso, implementado um regime de prevenção de 24 horas, por chamada, destinado aos eletricistas mobilizados em piquete, permitindo assegurar a cobertura total da disponibilidade da assistência e a melhoria dos tempos de resposta às solicitações.


    A CEVE não descura as suas preocupações ambientais e, assim, no campo da iluminação pública, desenvolve, desde 2002, um programa de preservação ambiental, concretizado através da substituição de lâmpadas nocivas por opções mais ecológicas e inerente reciclagem e da recolha seletiva de resíduos, despistagem e reciclagem de óleos dos transformadores e equipamentos informáticos. Tem também dado particular enfoque à eficiência energética na área da iluminação pública, com a construção de uma obra experimental e precursora da nova era de iluminação LED controlada remotamente, um investimento de grande sucesso técnico e económico. Em 2013 dedicou-se à manutenção de todo o sistema de iluminação pública que serve as populações da sua área de concessão, visando minimizar os impactos de insegurança causados pelas políticas de iluminação mais restritivas que passaram a ser adotadas pelos municípios.


    No domínio social, cultural, desportivo e cívico, a CEVE incrementou consideravelmente ações de cooperação com as Juntas de Freguesia e outras entidades relevantes, nomeadamente através de parcerias com os municípios de Vila Nova de Famalicão e Barcelos.

    A implementação desta política de responsabilidade social assente na cooperação e estabelecimento de protocolos de parceria com agentes e instituições locais tem sido a estratégia de intervenção da CEVE no desenvolvimento de iniciativas e apoio efetivo de proximidade junto da comunidade em situação de vulnerabilidade social da sua área de concessão. Destas parcerias destacam-se a entrega de donativos a instituições de solidariedade social diversificadas, o desenvolvimento de recolhas de vestuário e brinquedos, a criação de um banco de ajudas técnicas dirigido à comunidade, a doação de bens técnicos e alimentares em circunstâncias de carência socioeconómica, o desenvolvimento de campanha de sensibilização para a doação de IRS a instituições sem fins lucrativos e o incentivo a projetos de intervenção social e educativa dos concelhos com os quais desenvolve atividade. De referir, ainda, o apoio e participação da CEVE em projetos de aproximação do público escolar aos agentes da estrutura económica local e o apoio e patrocínio às instituições locais que desenvolvem atividades vocacionadas para o ensino artístico e para a dinamização cultural.


    Neste período que aqui descrevemos, a CEVE fez face a alterações estruturais nos padrões de consumo, dada a tendência de estabilização, a nível nacional, a partir de 2007, pela desaceleração da construção civil, os aumentos dos tarifários e uma maior racionalização no consumo por parte dos consumidores. A partir de 2011, o panorama de crescimento a que a CEVE havia assistido nos últimos 30 anos alterou-se, dado o agravamento fiscal inerente ao custo da energia elétrica. Apesar destas contingências, em 2008 inicia-se a inversão da evolução dos anos precedentes, com um aumento da margem bruta de negócio. A partir de 2012 os planos de investimento incidem sobre três áreas distintas: investimento na expansão de infraestruturas, investimento na substituição de equipamento obsoleto e investimento tecnológico em áreas inovadoras. De ressaltar, também, o cumprimento zeloso, neste período, por parte da CEVE, dos seus compromissos perante a Administração Fiscal, o Centro Regional de Segurança Social ou quaisquer outras entidades públicas.


    Desta etapa mais recente da história da CEVE ressalta-se, então, o crescimento contínuo da atividade desenvolvida, a diminuição das despesas e a melhoria da qualidade dos serviços prestados, a ambição de evoluir cada vez mais e melhor, investindo em novos nichos inexplorados, a par do crescimento de todos os indicadores de qualidade de serviço, económicos e financeiros, paralelamente à consolidação do consumo de energia por parte dos consumidores. Neste sentido, a CEVE integra a lista de pequenas e médias empresas “PME Excelência”, tendo obtido esta distinção como uma das três únicas cooperativas, a nível nacional, de entre todos os setores, merecedora deste reconhecimento de excelência, o que é profundamente ilustrativo da cultura de exigência e de qualidade empresarial enraizadas na sua prática.


    A CEVE comemora o seu 85.º aniversário de atividade ininterrupta, com uma estabilidade consolidada no que se refere ao crescimento e à qualidade do serviço prestado, afirmando-se, por um lado, plenamente, no complexo mercado da energia elétrica e, por outro, desenvolvendo uma política de responsabilidade social intensa, aspetos que lhe conferem distinção tanto no segmento cooperativo, como no ranking das pequenas e médias empresas, atestando a adequação das políticas propostas e implementadas pelos seus corpos diretivos.